TE COMO
Comendo você não tenho medo das censuras
Eu silencio a censura, nós no quarto de portas trancadas
Ninguém nos vê, e se ao caso nos ouvem, que tampem os ouvidos
Só não me calo porque os gritos são para mim um combustível
Comemos um ao outro! Que saudável! Quanta fartura!
Alguns com menos outros com mais
Mas não importa para nós, porque nosso amor é tocável
Alguns casais perdem tempo pedindo entre si uma esmola
Nós temos amor pra nos devorar inteiro, nós alimentamos o amor
Como sei que você é quem eu quero pra sempre?
Porque o pra sempre é o agora, que me faz esquecer tempo
Esquecer parâmetros, métodos…
Muitos se consomem no álcool, nas drogas, nos jogos…
Muitos se prostituem, se espancam, se destroem…
Muitos se vendem, se escondem, se rejeitam…
Poucos como eu, comem, dormem e bebem… E não tem vicio
Por isso não me castigo por te comer e por ser teu manjar
Podes sim, me devorar, me lamber, me levar numa bandeja para a cama
Qual o pecado nisso? Qual a vergonha disto?
Todos têm fantasias, fetiches, curiosidades, desejos e taras, não tem?
Pois esta é a minha, comer ao meu semelhante!
Pode ser até o meu próximo, sim, quanto mais perto melhor!
E se estiver longe, para que existem os meios de transporte, não é mesmo?!
Desculpa aqui o canibalismo, mas é a mais pura verdade
Como mesmo e não nego que como e se quiser me comer também:
Eu sirvo de duas pernas e braços, barriga e tudo mais.
Sou também uma mistura que te enfraquece e que também traz gás.
Bom apetite, pra quem ainda não comeu hoje.
Olhem muito bem o cardápio, pode sim repetir o pedido
E não é falta de etiqueta encher o prato.
Portanto que não se arrisque em deixar sobras, senão outros comem
Aprendeu?! Agora olha bem nos meus olhos! Viu?! É fome!
POLÊMICOS
Leva! Leva tudo!
Encha meu saco
Torre minha paciência
Deixe-me por aqui com você
Senta no meu colo, e me cale logo
Põe silêncio em minha boca
Faça-me calos, enfrente-me, não me entenda
Pire minha cabeça, bagunce meu cabelo!
Quebre os pratos, pare o trânsito por mim
Se afogue que eu te salvo
Rasga minhas roupas, jogue meus pertences pela janela
Marque comigo e não apareça, deixe-me em vã espera
Believe me… Love me… Hate me… Beije-me
Grite meu nome, escreva-nos na areia, apague com o pé
Afasta meu corpo de ti… Puxe-me depressa
Arranha minhas costas, dê pinta para outros…
Peça desculpas ou me dê gelo ou me coma inteiro
Faça sexo comigo num canteiro
Vê se me acha lá na esquina, ou estou na casa de mãe Joana
Eu tomo no orifício por você quando faço teus prestígios
Castigue-me com teus seios, faça por mim alguns sacrifícios
Arrependa-se, desespera-se, cometa então novos sacrilégios
Joga na minha cara que me ama, e não me dê mais bola
Esmaga-me com tua presença, deixe-me impotente
Eu subo pelas paredes, mas quebramos as paredes
Seja cada vez mais irreverente, mais do que eu possa agüentar
Eu quero polêmica, eu quero tua novela
Eu quero audiência, te quero nua numa capela
Para fazer casamento à moda antiga, como adão e Eva
Eu quero turbulência, eu quero sua loucura e paciência
Eu quero impacto, eu quero tua insanidade e inocência
Eu sou santo, devasso, um prisioneiro, e teu pássaro que voa alto
Eu sou tudo, eu sou nada, eu sou um, e sou todos!
Eu sou a sala cheia, eu sou a sala vazia, mas eu sou…
Simplesmente sou quem te ama!