RENASCENÇA
Eu tinha uma reserva de lágrimas
Que esvaziou após uma catástrofe
Eu, Jefferson Cruz Acácio, falecido no dia 20 de janeiro de 2009.
Balsamo no corpo, velas para iluminar meus versos
Já estive bem de todas as formas
Já estive mal de todas as formas
Mas nunca estive morto… Enfim, o que parecia ser abstrato, agora é a minha realidade.
E dentro do meu mundo morto, eu busquei uma porta
Mas não existe porta neste mundo mórbido
Aceito o meu funeral lindo e belo com todos chorando por mim
Enfim, não tenho lembranças póstumas.
Pois desde que a inexistência chegou pra mim, eu perdi a memória
Mortos não pensam, não sorriem, não desejam…
Mas as pessoas falam de mim, e dizem como eu era
Foi uma história interessante, porém foi embora.
E não chorem mais por mim, este momento é de glória
Sim, afinal para renascer, precisa incinerar a alma
Agora tem outro Jefferson que anda entre vocês
Este não promete, ele cumpre
Este não se engana, ele deixa você se enganar
Este não suplica, ele ouve para si as suplicas
Este não se sacrifica, ele luta arduamente.
Este não perde tempo chorando, ele se recupera rápido
Este Jefferson está pronto mais do que nunca
Ele veio! Se você o ver, tire o chapéu!
DE VERMELHO
- Pintura expressionista! Como é belo esse quadro vermelho!
Com essa exclamação o artista plástico encheu-se de ironia
E ao olhar bem a expressão de deslumbramento do rapaz
Mirou bem sua obra pregada na parede num tecido amarelado
E como se analisasse enquanto preparava uma descrição artística
Molhou bem os lábios com um desejo de impressioná-lo
Disse com a garganta já lubrificada e um sorriso sádico:
-É sangue!
O rapaz espantou -se e ficou apreensivo com a resposta do artista
E repugnado o chamou de louco!
O artista não se enraivou com o adjetivo.
Pelo contrário tornou a acomodar outra ironia em sua pergunta.
- Ao acaso não é dessa tinta que os homens precisam para ter a arte de viver? -
Perguntou ele ao rapaz!
- Não há de ser sangue de um humano!- Exclamou o rapaz já lamentando pela
vida do desconhecido!
O artista sorriu em retórica e preparou um desfecho para o diálogo:
- Pois os próprios humanos tiram esse componente da vida e desfaz a arte em
instantes! E você, caro rapaz, vê isso acontecer e ainda aplaude!