SE QUISER
Hoje só vou lhe dizer umas três:
Eu-Te-Amo!
Podia dormir sem essa, mas provocou, aí está!
Se não entendeu, eu posso então desenhar
Se quiser escrevo com letra de forma num papel enfeitado
Se quiser faço uma mímica ou faço um bordado
Se quiser envio por correspondência eletrônica ou por correios com um selo de esperança
Se quiser assino o remetente ou como carta anônima!
Se quiser rabisco na areia, ou modelo em forma de símbolo no barro molhado
Se quiser todos os dias eu planto em sua janela uma rosa encantada
Se quiser escrevo uma nota no jornal da tarde e da madrugada.
Se quiser eu canto lá em cima num trio elétrico ou num festival evangélico
Se quiser eu bato no peito bem forte, eu grito e eu berro
Se quiser eu pisco meu olho, eu aceno, eu enceno, eu te declaro
Se quiser eu escondo, eu revelo, eu minto e eu espero
Se quiser eu subo bem alto, não me jogo, mas deixo uma bandeira dizendo “te quero”
Se quiser roubo uma flor do vizinho, te enfeito de lacinhos.
Se quiser eu destravo seu portão, faço na sua vida uma invasão
Se quiser eu falo grego, latim, a língua dos anjos, e o alcorão
Se quiser eu sou um deus, um rei, um servo ou um simples artesão
E se não me quiser… Solteiro em vão! Mas se quiser… Sou teu então!
FORÇA DA NATUREZA
Não sei, mas às vezes acordo com sentimentos que não são meus
Esses dias, eu fui até o espelho, quando de repente, uma pequena nascente
É! Estava em frente ao espelho, me aproximei para ver melhor
Ali estava ela, tão singela e inexpressiva nascente, quase não se via
Mas quando então duvidei dela, foi quando começou a crescer
Foi ganhando força, talvez não fosse uma nascente ali
Talvez a nascente fosse mais longe, mais lá de dentro da gruta
Não sei como… Mas eu comecei a sentir que era mesmo do interior da rocha
Eu já estava quase colado no espelho, de repente ficou embaçado
Não sei… Um pouco nublado, não se via direito… Passei a mão nos olhos
Meu deus! Acho que fiz alguma coisa errada.
Devo ter, por engano, destravado alguma coisa… uma válvula,,,
Começou um riacho, molhava… Eu secava, molhava, eu impedia
Molhava… Tentei fugir, tentei chamar alguém, mas a garganta estava inútil
Por mais que eu forçasse, não dizia nada, só murmurava.
Uma cascata transbordando… Não sabia o que fazer
Senti uma angustia no peito!
Mas o que podia eu fazer, praticamente imobilizado diante do espelho
Foi quando minha mãe entrou no quarto e num espanto ao me ver naquela situação
Veio ao meu encontro com abraço de quem queria me proteger
Mas porque proteger a mim?! Aquilo não era meu!
Sei lá de quem era ou o que era exatamente o invólucro de água que jorrava
Minha mãe com seus abraços parecia ter colocado uma represa
Mas fiquei sem entender, que força era aquela a da natureza.
