POLÊMICOS
Leva! Leva tudo!
Encha meu saco
Torre minha paciência
Deixe-me por aqui com você
Senta no meu colo, e me cale logo
Põe silêncio em minha boca
Faça-me calos, enfrente-me, não me entenda
Pire minha cabeça, bagunce meu cabelo!
Quebre os pratos, pare o trânsito por mim
Se afogue que eu te salvo
Rasga minhas roupas, jogue meus pertences pela janela
Marque comigo e não apareça, deixe-me em vã espera
Believe me… Love me… Hate me… Beije-me
Grite meu nome, escreva-nos na areia, apague com o pé
Afasta meu corpo de ti… Puxe-me depressa
Arranha minhas costas, dê pinta para outros…
Peça desculpas ou me dê gelo ou me coma inteiro
Faça sexo comigo num canteiro
Vê se me acha lá na esquina, ou estou na casa de mãe Joana
Eu tomo no orifício por você quando faço teus prestígios
Castigue-me com teus seios, faça por mim alguns sacrifícios
Arrependa-se, desespera-se, cometa então novos sacrilégios
Joga na minha cara que me ama, e não me dê mais bola
Esmaga-me com tua presença, deixe-me impotente
Eu subo pelas paredes, mas quebramos as paredes
Seja cada vez mais irreverente, mais do que eu possa agüentar
Eu quero polêmica, eu quero tua novela
Eu quero audiência, te quero nua numa capela
Para fazer casamento à moda antiga, como adão e Eva
Eu quero turbulência, eu quero sua loucura e paciência
Eu quero impacto, eu quero tua insanidade e inocência
Eu sou santo, devasso, um prisioneiro, e teu pássaro que voa alto
Eu sou tudo, eu sou nada, eu sou um, e sou todos!
Eu sou a sala cheia, eu sou a sala vazia, mas eu sou…
Simplesmente sou quem te ama!
PAY PER VIEW
Foto, holofotes, tapete vermelho…
Estou na fama, não tenho mais segredo
O que me refletia se estraviou, agora é espelho quebrado
São vários pedaços de mim espalhados, quase um inventário
Deixo meus desejos como oferenda numa mesa para banquete
Ou protegido dos famintos populares dentro do armário
Eu sou um artista, não desses que atuam na televisão
Para uns sou eu mesmo sem script e figurino
Para outros prefiro ser apenas uma ilusão
Se quiser rir, eu faço piada, se quiser chorar também estou à disposição
Se você é quase nada, eu sou quase tudo que lhe preenche
Vou transformando teu espaço no meu cenário
Vamos inventar uma história e ganhar ibope no noticiário
A língua do povo nos ajuda… E os pagamos ocupando-lhes o tempo
Se ao povo, o sofrimento e o vazio não tem cura
Então vai aqui mais uma cena para medirem nosso temperamento
Ora se de drama, tragédia e romance enchem-lhes o papo
Ora se é entretenimento de que precisam, assinem então “Pay per View”
Pois nem tudo no mundo é de graça, nem mesmo as bênçãos do papa
Por isso comprem meu nome, está lá vendido na praça
Tem titulo bonito, tem foto e tem capa
Meu conceito está na vitrine ao lado em destaque está o meu perfil
Leiam tudo, consumam tudo, mas tudo mesmo, tudinho…
O lucro vem depois com minha marca num outdoor estampada
E você, que tanto me observa, que tanto de mim fala, continua crescendo para o “nada”