ROTEIRO (Jefferson Acácio)
Ela sem mim gera desequilíbrio
Corre o tempo em fast motion
E a cada dia, novo reconhecimento de corpo na cama.
Nós na interação em castidade
E o tempo na cidade congelado ao nosso redor
Estávamos zen e num zoom-in
Fazíamos um closer do beijo
Que decodificava o amor que sentíamos
“Não era só sexo, era ou não era?”
Parecia uma incorporação de sentidos mágicos
Dois corpos celestes desabrigando-se
Do espaço e tempo zerados
O relógio aponta meia-noite
A lua minguante está cheia de beleza
Mas a sensação é de tensão
E cai chuva, desce a lagrima.
Som BG da porta que me desperta da derrota
A composição esta desequilibrada
Estou interpretando um equilibrista
O espetáculo de tragédia está surreal
Quase desmoronando do precipício
É quando paro para não me precipitar
Vejo uma retrospectiva da nossa historia
Se desenrolando em minha memória
E volto a me reenquadrar.
Unimos-nos de uma pulsação vital
Foi como tudo começou
Aquele perfume de rosas e os quadris…
Era pecado leve!
Minha atenção a ela se convergia
E somente aquela deusa era o meu foco ritualístico
Provoquei um esbarrão só para senti-la mesmo sem tê-la
Um plongé dela recolhendo os livros do chão
Eu na câmera subjetiva a escolhi
No relance dessa seqüência me apaixonei
Doce, a linha implícita dos nossos olhares.
Doce, a percepção de que ela representava a abstração do ‘tudo’.
Doce, nossas manhãs de pão na mesa, leite e o enfeite de seu lingerie.
Amargo, o zoom-out dela.
Desastre, o meu filme acaba aqui.
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