EU NA CENA (Jefferson Acácio)
Sou um arquétipo do poder cínico
Flutuando na consciência raquítica
Cego da desordem cívica e social
Entrei em cena…
Atuando um papel patético
A festa é manifestação satânica
Flores e confetes, guerra!
Morte pela fé islâmica
Cada vez menos céptico
Acredito na antena capturando minha emoção sem pena
É arbitrário, meu amor, sinto-te pela novela.
E não sei te ter sem ter ela
É ilusório, o meu anseio.
Minha decisão se decide na TV
O ‘sim’ e o ‘não’ muito bem reproduzidos em padrão
É um velório na memória
É escomunal, viajo na nóia na net.
Quermesse que estou num profundo…
Abismo
Indo pro-fundo!
Morte do homem centenário
Afunda na merda, fica fétido… Otário…
Metidos cézares me julgam
Mas não julguemos os cézares no plenário
Cessamos anarquismo
Curamos o raquitismo
Viramos artistas e o papel
“É não enxergar”
Ainda sem comentários.