JEFF WRITER

The Right at the "Jeff Writer"

EMPAREDADO

 De frente pra parede

 Azulejos vermelhos ajustados

E eu ajoelhado em penitência

O chão molhado de pecado

Do corpo escorre o suor pro piso azulado

Na ponta do nariz encontro-me com o limite

O muro na minha testa se faz de fronteira

A parede me testa e empresta os ombros de concreto

Paixões são ideologias mágicas

Beijos são pentagramas de línguas afiadas

Em todos os lábios que experimentei me libertei

Fui me desmontando feito boneco de palha

Fiapos de mim descartadas pela vassoura

Eu de frente pra porta fechada

Armários sem maçaneta, eu sem toalha.

Eu, o espelho e um rosto estranho desgastado.

A janela aberta e eu preso no quarto

Sinto a culpa imobilizar minha fuga.

A pia e a água no rosto desculpam-se por mim

Somente para amenizar os arrependimentos

Quanta historia jogada pelo ralo

Sigo as sobras na correnteza da descarga

Esqueço as horas no silencio de casa

Não lacrimejo, é o espelho que se embaçou.

A torneira pingando e o chuveiro ligado

A porta trancada pra dentro e o choro bloqueado

Saliva entalada na garganta

Quem são elas que me transgridem?

Quem são elas que me esqueço?

Quem é ela? Quem é ela? Quem é ela?

8 de Fevereiro de 2009 - Publicado por | APAIXONADO | , , ,

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