DE VERMELHO
- Pintura expressionista! Como é belo esse quadro vermelho!
Com essa exclamação o artista plástico encheu-se de ironia
E ao olhar bem a expressão de deslumbramento do rapaz
Mirou bem sua obra pregada na parede num tecido amarelado
E como se analisasse enquanto preparava uma descrição artística
Molhou bem os lábios com um desejo de impressioná-lo
Disse com a garganta já lubrificada e um sorriso sádico:
-É sangue!
O rapaz espantou -se e ficou apreensivo com a resposta do artista
E repugnado o chamou de louco!
O artista não se enraivou com o adjetivo.
Pelo contrário tornou a acomodar outra ironia em sua pergunta.
- Ao acaso não é dessa tinta que os homens precisam para ter a arte de viver? -
Perguntou ele ao rapaz!
- Não há de ser sangue de um humano!- Exclamou o rapaz já lamentando pela
vida do desconhecido!
O artista sorriu em retórica e preparou um desfecho para o diálogo:
- Pois os próprios humanos tiram esse componente da vida e desfaz a arte em
instantes! E você, caro rapaz, vê isso acontecer e ainda aplaude!
Ainda sem comentários.